Segundo o relatório, profissionais estão sendo expostos a níveis de violência e danos psicológicos equivalentes aos sofridos pelos socorristas.
Pela Universidade de Ottawa com informações de Phys.

A violência e o assédio nas escolas canadenses atingiram níveis tão críticos que essas instituições públicas devem ser classificadas como locais de trabalho perigosos, afirma um relatório nacional conduzido por pesquisadores da Escola de Psicologia e do Departamento de Criminologia da Universidade de Ottawa.
O relatório, intitulado “Escolas Canadenses: Um Local de Trabalho Perigoso”, entrevistou 4.000 trabalhadores da educação e resumiu as conclusões de um relatório nacional no qual funcionários de apoio direto e indireto relataram a frequência e o impacto de incidentes de assédio e violência durante o ano letivo de 2022-2023.
Os casos de violência e assédio relatados foram, em sua grande maioria, iniciados por estudantes, particularmente contra funcionários de apoio estudantil direto e indiretos. Altos índices de violência e assédio também foram observados por parte de pais, colegas e administradores.
“Os profissionais da educação estão sendo rotineiramente expostos a níveis de violência e danos psicológicos equivalentes aos sofridos pelos socorristas”, afirmou a autora principal, Dra. Darcy Santor, professora de psicologia da Universidade de Ottawa.
As principais conclusões do Dr. Santor incluem:
- 78% dos trabalhadores do setor da educação sofreram pelo menos um ato, tentativa ou ameaça de violência física.
- 84% sofreram, em média, cerca de 30 incidentes de assédio por ano.
- 26% relataram sintomas semelhantes aos do TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático).
- Quase 80% afirmaram que a violência no local de trabalho prejudicou sua saúde mental.
Uma das entrevistadas disse: “Uma colega teve a cabeça batida contra a parede por um aluno. Ela sofreu um traumatismo cranioencefálico. O impacto que isso teve em mim foi uma sensação constante e generalizada de medo por mim mesma e pelos outros. Estou sempre pensando em como abordar os alunos e estou sempre em estado de alerta.”
O relatório constatou que o ambiente de trabalho chegou a um ponto em que mais de 50% dos entrevistados afirmaram que estariam dispostos a abandonar a profissão caso encontrassem um emprego comparável. Muitos disseram que o estresse os acompanhava para casa, afetando suas famílias, o sono e a qualidade de vida em geral, enquanto outros citaram experiências de violência e assédio como motivos para deixar a profissão.
O relatório também documenta a subnotificação generalizada de incidentes e a falta de respostas institucionais eficazes, com menos de um em cada cinco trabalhadores indicando que os planos de segurança foram implementados de forma consistente após incidentes violentos.
A equipe de pesquisa delineou recomendações, incluindo aprimorar e expandir a forma como os riscos são identificados, um planejamento e relato de segurança mais consistentes e eficazes e um suporte aprimorado em saúde mental.
Mais informações:
Canadian Schools: A Hazardous Workplace (2026)









