Nem mesmo o sol escaldante que aquece o Rock in Rio fez com que um grupo de Testemunhas de Jeová desanimasse de converter novos fiéis.

Organizados em turnos, cerca de cem membros da Congregação Testemunha de Jeová batem ponto na entrada do festival desde o primeiro dia de shows, que começaram em 27 de setembro. Os voluntários vêm de diferentes pontos do estado do Rio, chegam até o festival de transporte público e debateram previamente os temas que deveriam ser abordados no evento. “Como o público é majoritariamente jovem, deveríamos trazer livros sobre o segredo da família e outro com as principais perguntas sobre a religião”, disse o líder do grupo Waldeck Prado, de 54 anos.
Eles começam a chegar na Cidade do Rock às 8h e fazem três turnos de três horas até as 18h. Todos os religiosos receberam orientações de como deveriam abordar o público. “Em eventos de músicas, normalmente nos deparamos com muitas pessoas bêbadas, por isso orientamos os membros da igreja a não responderem as agressões e ofensas”, contou Prado, que é militar reformado.
Segundo Prado, o grupo tem conseguido atrair a atenção dos frequentadores do Rock In Rio. Desde o início do festival, cerca de 350 pessoas já pararam para ouvir “a palavra de Deus”. “Assim como nós, as pessoas estão aqui para fazer o que gostam. Mas, uma vez que ela aceite se tornar um testemunha de Jeová, deve abandonar alguns hábitos. A pessoa que é homossexual, por exemplo, precisa abandonar essa prática e seguir os mandamentos da Bíblia”, esclarece Prado. Uma vez dentro da congregação, os fieis são orientados a não frequentar mais festivais de música, incluindo o Rock in Rio.
A voluntária Francisca, de 50 anos, que preferiu não dar seu sobrenome, disse que, em 2017, o grupo conseguiu atrair uma pessoa para os estudos da Bíblia:
“Nosso trabalho aqui é envolver o público na palavra. E se uma pessoa for conquistada já é uma conquista. Tem muita gente que vem falar com a gente e diz que tem parentes que também são Testemunhas de Jeová.”
Já a recepcionista Thuany Santos, de 26 anos, que é voluntária da igreja, disse que já está acostumada a participar desse tipo de ação e revela que o grande segredo é o respeito:
“As pessoas estão aqui para curtir o que elas gostam. Da mesma forma que eu e minha amiga também estamos aqui fazendo o que gostamos, que é levar a palavra de Deus para as pessoas. A gente respeita todo mundo, porque também gostamos de ser respeitadas.”
A jovem conta que o trabalho é silencioso e que não abordam os frequentadores do evento.
“Muita gente nos vê aqui e acaba perguntando. Só falamos com quem se interessa mesmo. Temos alguns encartes com informações sobre a palavra de Deus” diz Thuany, que nunca entrou na Cidade do Rock: “Não tenho a menor vontade de conhecer o que rola lá dentro. Tenho outros gostos musicais.”
